Glamour Garcia fala sobre depressão: “É algo comum para pessoas transexuais”

Glamour Garcia (Foto: Marcos Nadur)

 

Glamour Garcia sempre está muito sorridente na novela A Dona do Pedaço ou nas entrevistas na televisão, mas nem tudo foram flores na vida dela. A atriz de 30 anos conta à Marie Claire que passou por um processo difícil de depressão que a deixou muito abalada e explica que conseguiu achar uma solução em cima de um palco.

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Infelizmente isso é algo extremamente comum para as pessoas transexuais. É um processo de vida muito cruel para nós. Não adianta falar de transexualidade e somente romantizar. Acho que as pessoas só mudarão quando tivermos coragem de olhar para este preconceito e a violência. Impossível não desenvolver a depressão em determinados momentos. O teatro, com certeza, foi a salvação da minha vida. Era onde eu sentia paz e viva. Ali me senti produtiva, construtiva. Não só tenho colhido os frutos por ter acreditado em mim, mas sinto que é muito importante ser a Britney e ser a artista que dá vida a ela em um momento tão delicado da política brasileira”, exalta.

Nos últimos tempos para cá, as novelas da TV Globo têm mostrado cada vez mais a realidade das mulheres transexuais como aconteceu recentemente com Marcos Paulo, interpretada por Nany People em O Sétimo Guardião, Michelly vivida por Gabrielle Joie em Bom Sucesso e Natasha que chegará na nova série Segunda Chamada e será interpretada por Linn da Quebrada. Glamour acha extremamente importante esta exposição para que essas mulheres ganhem mais respeito e tenham mais voz na sociedade.

Afinal de contas ser transexual não é só ser cidadã, mas ser humano também. Somos pessoas, com gostos diferentes. É importante quando este espaço está aberto para que a população trans se sinta representada e se reconheça. A ficção ajuda a criar um espaço de cidadania na vida social e real”, acredita.

Desde que apareceu pela primeira vez na televisão em A Dona do Pedaço, a atriz deu uma virada em sua vida e tudo tem se tornado muito maior de lá para cá. Contudo, ela afirma que não tem se deslumbrado com o mundo encantado da televisão e avisa que está com os pés no chão.

“Tenho deixado minha vida pessoal mais tranquila possível porque tenho muito trabalho atualmente. Tudo na minha vida agora tem sido megalomaníaco. Trabalhar em uma emissora como a Globo é ter uma visibilidade muito grande. O que mais mudou foi a exposição. Há seis meses eu era mais uma atriz e agora todo mundo me conhece. Minha vida deu uma ótima guinada, mas não estou deslumbrada com isso. Mudei meu patamar financeiro, profissional e pessoal, mas tenho tentado ser o mais realista possível. Não posso viver um devaneio.”

Glamour Garcia (Foto: Marcos Nadur)

 

Glamour, que na verdade se chama Daniela, explica à Marie Claire que criou este nome artístico porque, na adolescência, mantinha um blog de fotos com o nome de Glamour e esta marca ficou tão forte que decidiu mantê-la para a vida artística.

“Sempre achei que este nome mais extravagante seria mais interessante do que o meu nome civil. Eu amo meu nome, mas acho que Glamour acabou pegando mais. Até fiquei um pouco receosa quando comecei a ter mais visibilidade, mas o público amou e eu gosto muito também. Me reconheço mais com este nome”, determina.

E por falar em adolescência, ela se sente aliviada por não ter passado por nenhum caso de violência física neste período, mas está bem ciente que é uma realidade muito comum para uma garota transexual.

Todo mundo sabe que isso acontece. Eu prefiro valorizar outros momentos importantes que uma pessoa trans vive. Posso nunca ter passado por situação semelhante, mas acho importante valorizar os pontos positivos de nossas experiências porque a sociedade já é muito preconceituosa e tem desejo de saber que tipo de violência as pessoas vivem. Confesso que não gosto de alimentar isso. Acho cruel.”