Trigêmeas do fisiculturismo falam sobre assédio e machismo no esporte

Trigêmeas do fisiculturismo (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Adriana, Alessandra e Andréia Dantas são conhecidas no mundo fitness como as trigêmeas do fisiculturismo. Batendo um papo com a Marie Claire, Adriana debateu bullying, relembrou assédio e debateu o feminismo no esporte. 

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Confira:

Modalidade

“Começamos no fisioculturismo no final de 2015, no campeonato estreantes, em São Paulo. Alessandra e eu nos classificamos e a Andreia ia chegar no Brasil em três dias. Foi aí que decidimos colocá-la no paulista, que seria nosso segundo campeonato. Chegando lá, paramos tudo porque ninguém sabia que teriam trigêmeas – uma competindo com a outra. Fomos campeãs pela primeira vez e dali fomos para o Brasileiro, que foi um fracasso porque valia vaga para competir fora, mas a decepção não nos desanimou. Andreia voltou para Itália e Alessandra foi morar no Canadá. A única que ficou no País fui eu”. 

Infância

“Nossa infância foi muito divertida e, às vezes, complicada por causa da separação do nossos pais. Minha mãe teve os quadrigêmeos sem condições financeiras e meu pai estava desempregado. Quando nascemos tivemos ajuda do governo, só não era fácil cinco filhos dentro de casa: minha irmã mais velha Lívia e os quadrigêmeos Alexandre, Alessandra, Adriana e eu”.

Trigêmeas do fisiculturismo (Foto: Reprodução/Instagram)

 

“Quando completamos cinco, meus pais decidiram se separar e, então, complicou para ambas as partes… Tínhamos que fazer todos os deveres de casa pequenos, ficamos com nosso pai porque minha mãe surtou e sumiu de casa por um ano. Meu pai teve que nos ensinar a fazer comida, lavar roupa e cuidar um do outro. Chorávamos todos os dias porque nossa mãe não aparecia. Naquela época, ela sofreu demais com tudo, com tantos filhos e sem dinheiro, brigas muito feias em casa e meu pai que trabalhava em dois empregos, às vezes, até dormia no trabalho. Tivemos que amadurecer a força.. Na época, meu pai comprou um banquinho para alcançarmos o fogão e fazer a comida para todos. Tinha dia que não tínhamos café da manhã por falta de dinheiro. Adriana desmaiava de fome quando ia para a escola e não tínhamos apoio de nenhum parente. Tivemos a sorte de aprender a nos virar. No fim, deu tudo certo”.

Semelhança

“Sempre fizemos muitas coisas passando uma pela outra. Meu pai colocou Alessandra de manhã na escola e eu à tarde e sempre trocávamos uma com
a outra para estudar. Na hora da prova quando as três eram da mesma sala, Alessandra era muito boa em matemática e acabava fazendo as nossas provas. Uma vez, Alessandra marcou de encontrar com um garoto que foi seu namorado por quatri anos. Só que a Andreia saiu primeiro, e ele foi seco abraçá-la. Aí eu cheguei, dizendo que éramos gêmeas. E ele não teve dúvida: foi falar com ela… Até que apareceu a Alê e ele; para.. vai sair mais alguém daí? Rimos muito”.

Cuidados

“Nossa dieta é tranquila. Se torna mais rígida apenas na preparação para os campeonatos. Sempre passamos com um profissional da área para ter certeza que é a melhor forma de saber o que o corpo realmente precisa, em questão de alimentos e treinos. Desde de pequenas, sempre tivemos alimentação saudável até porque o nosso pai é professor de caratê. Ele foi nosso maior incentivo para o esporte. Treinamos cinco vezes por semana e comemos de seis a oito refeições por dia. Já fomos vegetarianas e pensamos em voltar a ser. Comemos carnes brancas e muitos vegetais… Por nossa mãe ser nordestina e o pai mineiro, amamos comida de verdade: não há nada mais saudável que arroz e feijão. Gostamos de frutas, legumes e um suco de beterraba, laranja , couve e cenoura, que tomávamos muito na infância. Hoje, até nossos filhos tomam. E, claro, muita água! Às vezes, chegamos a tomar de sete a oito litros em preparação de campeonato, bem chatinho mas vale a pena.. Nos dias que não competimos tomamos de dois a três litros”. 

Trigêmeas do fisiculturismo (Foto: Reprodução/Instagram)

 

Machismo

“Não achamos que o fisiculturismo seja machista até porque existem várias categorias e tem espaço para todos. Às vezes tem um preconceito de um ou outro, mas sempre fomos muito respeitadas em relação a isso. Soubemos nos sair bem. Acredito que o fisiculturismo nos ajudou a nos amarmos mais, pois sabemos que ganhar é importante e gratificante. Mais do que isso, competir é uma realização pessoal. Gostamos daquele processo da preparação, do foco e determinação que nós três juntas temos. Mesmo assim o que vale é o glamour de estar em um palco e ver que tudo que você se dedicou valeu a pena. Ver outras meninas e mulheres correndo atrás do mesmo objetivo também é um sonho”.

Feminismo

“Somos feministas, sim, e defendemos o direito das mulheres terem os mesmos direitos dos homens”.

Assédio

“O que mais marcou foi um dia em que as três estavam juntas voltando de um trabalho e veio um rapaz convidar para sair com ele, em troca de  oportunidades de trabalhos na TV. Graças a Deus, sempre conseguimos sair desse tipo de situação com muita educação e postura, mesmo quando você quer explodir mas aprende a se sair bem.Também já sofremos assédio na academia, em trabalhos isolados, já tentaram agarrar, essas coisas… Aprendemos a nos sair bem”.